3. Dinheiro e riquezas

A Bíblia não foi escrita para dar conselhos financeiros ou para ensinar a administrar os bens, mas ela também trata deste assunto. Já houve quem dissesse que mais de dois mil versículos da Bíblia tratam do tema do dinheiro.

É impossível resumir o ensino bíblico a respeito deste assunto, mas os pontos que seguem tocam no que parece ser o mais importante.

    1. Tudo nos foi entregue pelo Criador (Gn 1.26), incluindo os bens deste mundo. Deus enche o coração dos seres humanos de fartura e de alegria (At 14.17; Sl 34.10).

 

    1. As riquezas nunca são simplesmente riquezas, pois trazem identidade e representam segurança (Pv 18.11). Facilmente o dinheiro se torna um ídolo, e as pessoas passam a viver para ele (Sl 62.10; Ec 5.10). A Bíblia adverte contra a fascinação das riquezas (Mt 13.22) e o amor ao dinheiro (1Tm 6.6-10). Jesus lembrou que é impossível servir a dois senhores (Mt 6.19-24). A coisa mais importante é ser rico para com Deus (Lc 12.21), tendo o tesouro maior: o reino de Deus, na pessoa de Jesus (Mt 6.33).

 

    1. A Bíblia, especialmente em Provérbios, exalta e encoraja o trabalho (Pv 13.11; 14.23; 21.5), condenando a preguiça (Pv 6.6; 26.13-16). Deus descansou no sétimo dia (Gn 2.2), mas Jesus disse que o “Pai trabalha até agora” (Jo 5.17). O texto de 2Ts 3.10 (“se alguém não quer trabalhar, também não coma”) teve profunda influência sobre a ética cristã.

 

    1. A riqueza facilmente bate asas (Pv 23.4-5) e até por isso o alvo não deveria ser simplesmente enriquecer. O padrão bíblico aparece em Pv 30.8-9: nem pobreza nem riqueza.

 

    1. A Bíblia orienta a diversificar os investimentos ou, como se diz popularmente, a não colocar todos os ovos na mesma cesta. Isto aparece em Eclesiastes 11.2: “Reparta com sete e até mesmo com oito” (isto é, “aplique o dinheiro em vários lugares e negócios”, conforme diz a NTLH), “porque você não sabe que mal sobrevirá à terra”. O mesmo tema aparece em Ec 11.6.

 

    1. Fazer dívidas é entrar num buraco do qual é difícil sair. Provérbios 22.7 ensina: “O rico domina sobre o pobre, e o que pede emprestado é servo de quem empresta”. Como dizia o jornalista Joelmir Betting: o cartão de crédito existe para comprar o que não precisa com o dinheiro que não se tem.

 

    1. A Bíblia enfatiza o contentamento (Hb 13.5). A marca do contentamento é a generosidade. Quando temos dinheiro suficiente? Quando começamos a compartilhar. Jesus disse que “mais bem-aventurado é dar do que receber” (At 20.35) e, em 2Co 9.8-11, o apóstolo Paulo encoraja a generosidade.

 

    1. Ofertar faz parte da vida cristã. Uma oferta tem dupla dimensão: ajuda alguém e é sacrifício agradável a Deus. Em Fp 4.18, Paulo “passa um recibo” e afirma que a ajuda dos filipenses supriu suas necessidades. Mas, ao mesmo tempo, o apóstolo enfatiza que aquilo que eles mandaram era uma oferta de aroma agradável.

 

    1. Jesus recomenda fidelidade na aplicação da riqueza injusta (Lc 16.11). O apóstolo Paulo como que institui o princípio da auditoria financeira para o povo cristão, dizendo que, em questões financeiras, importa fazer o que é correto não só diante do Senhor, mas também diante das pessoas (2Co 8.16-21).

 

    1. Não existe relação direta entre riqueza e bênção de Deus, assim como pobreza não é automaticamente sinônimo de maldição. O livro de Jó apresenta um justo que perdeu tudo, mesmo não deixando de ser justo, e a experiência e os escritos de Paulo nos trazem um apóstolo aflito e necessitado (1Co 4.8-13; 2Co 6.3-10; 11.23-29). Justo não é quem é próspero; justo é aquele que Deus declara justo.

 

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